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setembro 19, 2007

Um blog é como um bom vinho

...só atinge o auge das suas qualidades após uns anitos. Este blog está agora no seu auge.

Passo a explicar: ninguém vem cá ver rigorosamente nada, está mais vazio do que um frigorífico no Pólo Norte, e por isso podemo-nos dar ao luxo de escrever exactamente o que nos apetece, sem qualquer receio de ferir susceptibilidades, ofender familiares ou amigos, dar pontapés na gramática, enfim, um luxo.

Postas as coisas (ou fatias as coisas, tanto me faz - piadinha foleira impossível num blog fora do seu auge), isto está à beira de se tornar numa sodoma do maldizer, numa gomorra dos golpes-baixos. E reparem como "sodoma" ou "gomorra" não estão escritas com letra maiúscula e que nem sequer fui ver se "golpe-baixo" se escrevia de facto assim! Ahhhhhhhhhh. Isto é que é vida!

Fui.

É bom ser árbitro de futebol

Conforme alguém dizia durante o Portugal - Sérvia, "deve ser óptimo ser árbitro. Tanta gente a lembrar-se de ti, da tua mãe, da tua esposa..."

...

É incrível a quantidade de coisas que QUASE acontecem na nossa vida.

setembro 15, 2007

Na terra dos alces

Este vosso amigo macaco mudou-se para a terra dos alces.
E vou diáriamente ou quando puder mostrar como é a vida aqui aqui junto dos alces...
Aconselho vividamente a visitar-me NA TERRA DOS ALCES!!!

julho 24, 2007

Envelhecer

Envelhecer é reparar que os adolescentes nos tratam por "você" em vez de "tu". É muito estranho...Só me ocorre a frase "Ah, então é assim que é...".

maio 25, 2007

OBSERVAÇÃO SOBRE A CULTURA AUTOMÓVEL POPULAR PORTUGUESA

O conta-quilómetros

Tempos houve em que comparávamos os carros entre si, referindo-nos (erroneamente) ao seu “conta-quilómetros”. Dizíamos “Epá, este marca 120!”. Tratava-se, com certeza, de uma grande máquina, para aí um Renault 4L, ou Fiat 127.

Estou a falar de uma altura em que cada marca de automóveis tinha o seu próprio design, perfeitamente distinto de qualquer uma das outras. E cada dono orgulhava-se do seu bólido, como se este tivesse alma, personalidade e fosse único no universo.

Os automóveis eram embelezados com uma série de apêndices de gosto duvidoso – antenas de rádio com 2 metros de altura, autocolantes da marca Alpine, penduricalhos no espelho retrovisor, almofadas e animais de peluche na chapeleira, ponteiras de escape cromadas, ailerons colados à base de Super Cola 3, ferraduras penduradas na frente do carro, capas para os bancos em tecido com padrão tipo “toalha de mesa” e o meu preferido, uma inscrição na porta do condutor com as iniciais deste e o seu tipo de sangue.

Mas o “conta-quilómetros” era o que contava, the real deal. Aquele número mágico ditava a diferença entre o voar baixinho e ficar cá de baixo a ver os outros levantar voo. E estamos a falar de uma altura em que não era obrigatório o uso de cinto de segurança, os carros não tinham ABS nem airbag e as estradas faziam lembrar o Paris-Dakar.
E não era preciso chegar lá com o ponteiro, o que cotava era o que lá estava escrito. Atingir ou não essa velocidade era apenas uma questão de pormenor.

Actualmente reinam os veículos capazes de perfomances muito superiores às da época, todos muito mais seguros e confortáveis e ergonómicos, todos arredondados, todos feitos em plástico, todos dotados do mesmo número no “conta-quilómetros”, até irrita.

Já ninguém diz quanto é que marca o “conta-quilómetros” da sua máquina porque se tornou absolutamente irrelevante. O dito “conta-quilómetros” já perdeu todo o seu significado, aquela aura que tinha dantes, tipo crista do galo, e com ele perdeu-se também o prazer que era “ter um carro”, mesmo que este avariasse, metesse água, não pegasse ou gastasse muita gasolina. Não interessava, o dono do veículo era incapaz de ver os seus defeitos por mais óbvios que estes fossem, apenas via as qualidades – tal e qual um filho aos olhos dos seus pais.

Tudo isto se perdeu. Até o dito do “conta-quilómetros”. Parece que agora se chama velocímetro…e até os há digitais…

A propósito de coisas grátis

Nas palavras de uma conhecida filósofa contemporânea, a propósito da adesão do povo português às coisas grátis:

“Grátis, até injecções no olho!”

Chiça!

maio 04, 2007

TÚNEL DO MARQUÊS

Em relação à mais propalada obra pública dos últimos 5 anos, sem contar com o novo Aeroporto da Ota…não, de Rio Frio…, não… sei lá, o que for, eu imaginava que o Túnel do Marquês fosse uma espécie de apocalipse do tráfego automóvel, assim ao estilo de Mad Max, com carros a capotar em pleno túnel, pessoas a gritar e a espichar aquelas paredes em azulejo moderno com sangue, membros decepados, urros de dor e sofrimento, intoxicações por inalação de gases de combustão, seitas religiosas a oferecer a salvação divina, enfim, já dá para perceber a ideia.
…
Epá, mas não. Nada de especial. Pacífico. Entrei no túnel, atravessei desde a Rotunda do Marquês do Pombal até às Amoreiras, sempre na mais perfeita das normalidades. Nada de sangue, chapa amachucada, derrapagens, falta de visibilidade. Nada disso. Nem sequer me pareceu que fosse demasiado inclinado – tem sensivelmente a mesma inclinação da respectiva avenida à superfície. Lembrei-me até de alguns túneis na Madeira bem piores, já com 3 e 4 anos de existência.

Ainda por cima parece que o dito aliviou mesmo o tráfego automóvel na área circundante da Rotunda do Marquês do Pombal – os meus colegas que vêm de carro para o escritório já o confirmaram.

Deve andar por aí muita azia.

Nota: Vamos fazer um “suponhamos” – pondo esta questão em perspectiva, imagine-se a quantidade de barbaridades que irão surgir no caso do novo aeroporto. É assustador. Isso e os custos acrescidos em atrasos e derrapagens, por causa de uns engitilentes (em honra ao grande Zé Manel, esse proeminente filósofo contemporâneo) que aparecem sempre com soluções excelentes.
No fim estas soluções acabam por não dar em nada, mas quem paga os anos de atraso na conclusão das obras?
Como disse recentemente o Rei da Madeira – No dia em que tivermos uma oposição competente, vamos governar muito melhor. Neste momento são uns rascas.

abril 20, 2007

CANTICORUM JUBILO REGI MAGNO PSALITE

Imagine-se a seguinte situação:

Um grupo de pessoas absolutamente aleatório, sem qualquer característica específica ou comum entre si, à excepção da partilha de um determinado espaço num determinado momento. Daqui decorre que não são particularmente dotados em qualquer espécie de tarefa ou ofício, são o que se denomina por “gente”, medianos e medianas em todos os aspectos, mais especificamente no que concerne aos seus dotes vocais.

Eu, pessoalmente, reconheço que estou nitidamente abaixo da média. Sou o que se chama de penetra do karaoke: quando a malta está no karaoke, eu vou por trás, assim de mansinho, e começo por fazer playback, depois só “mmmmmm” e por fim começo a cantar, até ser escorraçado pelos restantes karaokers, para aí 30 segundos depois. E nem sequer canto alto.

Qual não é o meu espanto, quando no meio dum concerto de música medieval, o maestro do coro desafia a audiência para cantar também! Ah que giro e tal…Que giro e tal uma porra! Se eu gostasse de me ouvir cantar, tinha ficado em casa a aproveitar a acústica da minha casa-de-banho.

Mas enfim, estas coisas têm piada se se interiorizar devidamente o espírito. Olhei à minha volta e pensei “Há-de haver alguém pior do que eu, somos tantos!”

E lá fomos, seguindo as instruções do maestro, cantando um refrão em latim projectado no palco, lado-a-lado, ombro-a-ombro, nota-a-nota com o dito coro…E a coisa não correu nada mal, aquilo até soou mesmo a música. Dadas a experiência anterior, se bem que bem regada, senti-me um autêntico Freddie Mercury. Mas muito másculo e viril, claro.

Ora, findo o dito concerto estava em êxtase com a minha prestação. “Afinal não canto assim tão mal”, pensei. Este êxtase durou uns dias, foi-se degradando progressivamente pela eterna dúvida “Será que foi mesmo assim, será que soei mesmo bem, afinadito…ou pelo menos não suficientemente desafinado para provocar alergias, comichões e pelos arrepiados na nuca?”.

Por último lá consegui racionalizar a questão e cheguei ao seguinte: não interessa se soei bem ou mal, mas sim que soámos bem. É muito bom sentir que fazemos parte de algo, que estamos em harmonia, integrados.

E isto deu-se graças ao dito maestro, que durante aqueles minutos que passaram em câmara lenta transformou uma cambada de analfabetos líricos em Pavarottis. Aquele senhor funcionou como a “cola” daquele grupo tão heterogéneo quanto improvável, conseguindo que cada se excedesse e que a soma das parcelas fosse superior ao valor individual de cada parcela. Assim tipo Mourinho, mas do canto em vez da bola.

Imagine-se pois. Doutra forma só mesmo lá estando…

fevereiro 16, 2007

Unido, o povo, jamais será vencido

Parabéns à malta de um determinado subúrbio do Porto, que ao ser confrontada com a alteraçãodo trajecto de uma carreira da STCP, protestou, cortou estradas, fez marchas lentas, apareceu na TVI a mostrar as mãos cheias de anéis e a tresandar a lixívia, os óculos Arnet da feira a segurar o cabelo, e as camisas da Sacoor adquiridas por 8 éros nos ciganos.
Perante a força dos pontapés na gramática aos gritos nos directos em horário nobre, o vigor dos gestos ameaçadores que intimidariam o mais tarimbado dos repórteres da Guerra do Golfo, e a pujança da comoção provocada pela mãe que agora tem de levantar-se duas horas e meia mais cedo para ir levar o "piqueno" à escola, para ele não apanhar sozinho os 3 transportes necessários para percorrer o caminho de casa à escola, a STCP lá cedeu e deu autocarros para o povo ir trabalhar!
Neste país há um princípio que funciona incondicionalmente: É chamar a TVI e fazer um escândalo. O resto surge naturalmente...