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maio 25, 2007

A propósito de coisas grátis

Nas palavras de uma conhecida filósofa contemporânea, a propósito da adesão do povo português às coisas grátis:

“Grátis, até injecções no olho!”

Chiça!

maio 04, 2007

TÚNEL DO MARQUÊS

Em relação à mais propalada obra pública dos últimos 5 anos, sem contar com o novo Aeroporto da Ota…não, de Rio Frio…, não… sei lá, o que for, eu imaginava que o Túnel do Marquês fosse uma espécie de apocalipse do tráfego automóvel, assim ao estilo de Mad Max, com carros a capotar em pleno túnel, pessoas a gritar e a espichar aquelas paredes em azulejo moderno com sangue, membros decepados, urros de dor e sofrimento, intoxicações por inalação de gases de combustão, seitas religiosas a oferecer a salvação divina, enfim, já dá para perceber a ideia.

Epá, mas não. Nada de especial. Pacífico. Entrei no túnel, atravessei desde a Rotunda do Marquês do Pombal até às Amoreiras, sempre na mais perfeita das normalidades. Nada de sangue, chapa amachucada, derrapagens, falta de visibilidade. Nada disso. Nem sequer me pareceu que fosse demasiado inclinado – tem sensivelmente a mesma inclinação da respectiva avenida à superfície. Lembrei-me até de alguns túneis na Madeira bem piores, já com 3 e 4 anos de existência.

Ainda por cima parece que o dito aliviou mesmo o tráfego automóvel na área circundante da Rotunda do Marquês do Pombal – os meus colegas que vêm de carro para o escritório já o confirmaram.

Deve andar por aí muita azia.

Nota: Vamos fazer um “suponhamos” – pondo esta questão em perspectiva, imagine-se a quantidade de barbaridades que irão surgir no caso do novo aeroporto. É assustador. Isso e os custos acrescidos em atrasos e derrapagens, por causa de uns engitilentes (em honra ao grande Zé Manel, esse proeminente filósofo contemporâneo) que aparecem sempre com soluções excelentes.
No fim estas soluções acabam por não dar em nada, mas quem paga os anos de atraso na conclusão das obras?
Como disse recentemente o Rei da Madeira – No dia em que tivermos uma oposição competente, vamos governar muito melhor. Neste momento são uns rascas.

abril 20, 2007

CANTICORUM JUBILO REGI MAGNO PSALITE

Imagine-se a seguinte situação:

Um grupo de pessoas absolutamente aleatório, sem qualquer característica específica ou comum entre si, à excepção da partilha de um determinado espaço num determinado momento. Daqui decorre que não são particularmente dotados em qualquer espécie de tarefa ou ofício, são o que se denomina por “gente”, medianos e medianas em todos os aspectos, mais especificamente no que concerne aos seus dotes vocais.

Eu, pessoalmente, reconheço que estou nitidamente abaixo da média. Sou o que se chama de penetra do karaoke: quando a malta está no karaoke, eu vou por trás, assim de mansinho, e começo por fazer playback, depois só “mmmmmm” e por fim começo a cantar, até ser escorraçado pelos restantes karaokers, para aí 30 segundos depois. E nem sequer canto alto.

Qual não é o meu espanto, quando no meio dum concerto de música medieval, o maestro do coro desafia a audiência para cantar também! Ah que giro e tal…Que giro e tal uma porra! Se eu gostasse de me ouvir cantar, tinha ficado em casa a aproveitar a acústica da minha casa-de-banho.

Mas enfim, estas coisas têm piada se se interiorizar devidamente o espírito. Olhei à minha volta e pensei “Há-de haver alguém pior do que eu, somos tantos!”

E lá fomos, seguindo as instruções do maestro, cantando um refrão em latim projectado no palco, lado-a-lado, ombro-a-ombro, nota-a-nota com o dito coro…E a coisa não correu nada mal, aquilo até soou mesmo a música. Dadas a experiência anterior, se bem que bem regada, senti-me um autêntico Freddie Mercury. Mas muito másculo e viril, claro.

Ora, findo o dito concerto estava em êxtase com a minha prestação. “Afinal não canto assim tão mal”, pensei. Este êxtase durou uns dias, foi-se degradando progressivamente pela eterna dúvida “Será que foi mesmo assim, será que soei mesmo bem, afinadito…ou pelo menos não suficientemente desafinado para provocar alergias, comichões e pelos arrepiados na nuca?”.

Por último lá consegui racionalizar a questão e cheguei ao seguinte: não interessa se soei bem ou mal, mas sim que soámos bem. É muito bom sentir que fazemos parte de algo, que estamos em harmonia, integrados.

E isto deu-se graças ao dito maestro, que durante aqueles minutos que passaram em câmara lenta transformou uma cambada de analfabetos líricos em Pavarottis. Aquele senhor funcionou como a “cola” daquele grupo tão heterogéneo quanto improvável, conseguindo que cada se excedesse e que a soma das parcelas fosse superior ao valor individual de cada parcela. Assim tipo Mourinho, mas do canto em vez da bola.

Imagine-se pois. Doutra forma só mesmo lá estando…

fevereiro 16, 2007

Unido, o povo, jamais será vencido

Parabéns à malta de um determinado subúrbio do Porto, que ao ser confrontada com a alteraçãodo trajecto de uma carreira da STCP, protestou, cortou estradas, fez marchas lentas, apareceu na TVI a mostrar as mãos cheias de anéis e a tresandar a lixívia, os óculos Arnet da feira a segurar o cabelo, e as camisas da Sacoor adquiridas por 8 éros nos ciganos.
Perante a força dos pontapés na gramática aos gritos nos directos em horário nobre, o vigor dos gestos ameaçadores que intimidariam o mais tarimbado dos repórteres da Guerra do Golfo, e a pujança da comoção provocada pela mãe que agora tem de levantar-se duas horas e meia mais cedo para ir levar o "piqueno" à escola, para ele não apanhar sozinho os 3 transportes necessários para percorrer o caminho de casa à escola, a STCP lá cedeu e deu autocarros para o povo ir trabalhar!
Neste país há um princípio que funciona incondicionalmente: É chamar a TVI e fazer um escândalo. O resto surge naturalmente...

Referendo para a eleição da Tabuada mais difícil

Resultados do referendo: Tabuada do "7"

Nota: Consideradas apenas as tabuadas até ao "10"

Escola do Sofrimento

Li no metropolitano: "Jesus aprendeu na escola do sofrimento.", de um daqueles pastores quaisquer duma igreja brasileira.

Deve ser uma belíssima instituição de ensino, mas acho que os meus rebentos não vão passar por lá. Pessoalmente dispenso. até porque já nem deve haver vaga - deve ser uma escola popularíssima entre certas franjas da sociedade.

Agora que me ponho a pensar nisto, o próprio JC, perante a possibilidade de seleccionar a escola a frequentar, talvez não tivesse optado pela escola do sofrimento. Mas a vida é assim: os amigos escolhem-se, a família, nem por isso. Ah, e as escolas também não, é a família que eescolhe por nós.

O que será que se aprende numa escola dessas, a sofrer? E o corpo docente, será constituído por quem? Nem quero pensar, assim meio de repente ocorrem-me leprosos, doentes terminais, ex-prisioneiros do Tarrafal e o filho do José Castelo Branco, entre outros...

As disciplinas? Andam na banda de "Dor de cotovelo", "Dor de dentes", "Dor de corno", "História da Dor" e "Técnicas Laboratoriais de Dor".

Vistas as coisas, até tive bastante sorte, com as escolas, família, amigos, tudo isso.

janeiro 30, 2007

VOANDO ABAIXO DO RADAR

Pois é, caros símios, continuamos nesta dinâmica muito própria, ocultos na sombra mas nem por sombras ausentes.
Pode dizer-se que atravessámos algumas fases de letargia, aliás próprias do processo criativo: este não é um acto contínuo, uniforme, harmónico, mas sim pontual, feito de rasgões e repelões e surtos.
Mas somos, efectivamente, como os ninjas dos filmes de artes marciais dos anos 80 – durante o filme ninguém sabe muito bem por onde andam, mas quando aparecem, é “porrada-de-três-em-pipa”.
A isto, meus valentes primatas companheiros de luta anti-batráquio e demais derivados, chama-se precisamente voar abaixo do radar. É estar lá, mesmo que não seja à vista, no limbo, à espera do momento exacto para dar o golpe e esborrachar os sapos que por aí andam.

janeiro 02, 2007

Aborto: SIM ou Não!

Vou ser enforcado!
Primeiro porque a minha informação é muito escassa, em ambos os lados, claro está...fui agora mesmo ao site pelo não e tive lá a ver umas coisas interessantes...
Infelizmente não vi nenhum site pelo sim, mas prometo que farei pesquisa mais intensiva brevemente...
E comecei com o vou ser enforcado porque?
Porque preciso de questionar...
Eu como macaco observador abri o referido site pelo não e tive medo...As cores que o site usa e a forma como os dispõem os seus elementos metem medo...Atrevo-me a dizer que o site "cheira"a morte...Sinceramente quando acedi ao site, tive ainda mais vontade de votar sim...Se interessar a alguém a opinião deste sincero macaco, mudem o grafismo da cena.
Depois no referido site, fala-se do não, mostra-se videoclips de rappers a favor da vida, eco grafias, apresentam os seus argumentos pelo não...Mas, e estou errado com toda a certeza, mas nestas coisas da informação não devemos de ser imparciais?? Isto é, não devemos apresentar a nossa opinião, tão fincada como mostram e dar um pouco a conhecer a opinião contraria??Isto é, se eu só visse aquele site e não tivesse qualquer opinião, votaria não, nem perceberia as razões do sim...Mas a questão que também aqui se põe é: Quem ganham com isso? Em dar escolhas às pessoas? E que ganham em que as pessoas fiquem informadas do "vizinho sim"??
No meu entender eu faria um organigrama, tipo bananeira, onde apresentava os pontos do sim, e à frente refutava-os com os pontos do não, assim, daria ao utilizador uma hipótese de conhecer ambas as hipóteses e ao mesmo tempo ver que o não refutava todos argumentos do sim e é o mais "forte".
Mas até agora só falei de design, também é normal, para um macaco no meu ramo...
Encontrei também este site, que também me deixou inquieto...
E que me levou a pensar o seguinte"Porque os padres e a igreja são tão a favor do não??"
E pensei, que um feto, já pode ter coração, até já pode pensar um bocadinho, MAS e o grande MAS tem alma...
E agora vou entrar por outro assunto... A religião...
Isto na minha opinião, ou no meu entender de babuíno ingénuo, os padres reclamam pela alma da criança...
Mas o que é isso da alma??OK! Então vamos considerar que não temos alma e passamos a falar da vida humana, dentro da mãe...
Essa vida humana que tem um coração a bater, é o que??é um ser pensante? É algo que contribui para a sociedade?
Não estou a querer menosprezar a vida humana e do ponto de vista do leitor devo ser um sem coração insensível e miserável, mas não sou , apenas me interrogo...
Mas dar à luz uma criança e não ter hipóteses para a criar, para a ter e quem sabe ela mais tarde vir a morrer, por falta de cuidados, não será pior do que morrer antes de nascer?
ok! É homicídio das duas maneiras, mas uma é menos fria e mais responsável...
Se uma pessoa tem 5 filhos e o salário mínimo, terá hipóteses de ter o 6?
E se tiver??
vai para instituições de crianças??Para viver lá até aos 18 anos e ter uma educação media, sem amor e carinho dos pais? Ou ter a sorte de após um processo de 3 ou mais anos de adopção , de conseguir ter uma família a que se adapte?
Eu não sei...
Acho que a religião não se devia meter nisto, podemos ter todos a nossa opinião, mas não acho que devem fazer propaganda, muito menos os partidos políticos...a não ser ONG(associações não governamentais) e grupos de indivíduos...
Eu acho que o aborto devia ser uma opção em casos de doença, impossibilidade de ter filhos(dinheiro, condições...).
E acho que o aborto não devia ser considerado um método contraceptivo, acho que devia haver um numero de vezes a que uma mulher se podia submeter ao aborto.

bom realmente estou perdido...

Eu não sei...

dezembro 29, 2006

METAFÍSICA DA SOPA DE LEGUMES EM 5 TÓPICOS FOR DUMMIES

Qualquer sopa servida num restaurante é sopa de legumes porque:

  1. A base da sopa é quase sempre um composto vegetal ou qualquer coisa não-carne ou não peixe, que pode ser assumido como sopa. E quando perguntarmos ao empregado de mesa sobre aqueles pedaços suspeitos no meio do prato, ele responde prontamente que são pedaços de legumes que a varinha mágica não passou;
  2. Os legumes fazem bem à saúde, à excepção dos que têm vitamina K, pois cortam o efeito dos comprimidos para baixar a tensão (couves, feijão verde,etc);
  3. Ser vegetariano é cool, ou pelo menos assim pensam os vegetarianos. É como aquela ideia de que se contarmos uma mentira vezes suficientes, ela acaba por se transformar numa verdade;
  4. A canja está completamente fora de moda por causa da gripe das aves;
    “Sopa de legumes” tem um ar muito mais fino do que sopa de um legume específico, do género “Sopa de Batata” (rústico), “Sopa de grão” (matarruano);
  5. Uma boa “Sopa de legumes” cortada com 2 litros de água e refervida (para apurar) continua a ser uma “Sopa de legumes” razoável, podendo deste modo a mesma sopa perpetuar-se por algumas semanas no mesmo restaurante, bastando para isso acrescentar água e ferver – Milagre da Multiplicação da Sopa;

Bom apetite!



PIRANHAS MADEIRENSES

Macaco que é macaco gosta de passear. Ainda por cima se for à beira mar, desfrutando duns belos 25ºC acompanhados duma refrescante brisa marítima. E para completar, uma refeição de peixe fresco completamente grátis – porque, contrariamente ao senso dos comuns, o macaco não gosta só de bananas.
Pois, mas não tentem fazer isto no Funchal, essa bela localidade do nosso Jardim Atlântico. Se porventura ousarem desafiar o sensível equilíbrio entre a mediocridade húmida e a estupidez gananciosa que reina numa cidade feita à medida do turista bronco e bimbo das Américas, serão prontamente confrontados com um “The food is good!” vindo dum sapo qualquer vestido de preto e branco, ostentando um bigodito seboso, pronunciado num dialecto resultante da mistura entre o ZéZé Camarinha do antigamente e o Borat dos tempos modernos.
Esta tirada de mestre, como é absolutamente óbvio, estilhaça por completo a mais pequena inclinação de degustar um prato de peixe à beira-mar. Pior do isso, o sapo que comete este atentado contra a moral e bons costumes, não satisfeito com o efeito banda-gástrica da sua patética observação, repete-a até à exaustão à medida que vai afugentando os restantes transeuntes, outrora potenciais clientes.
E é neste momento em que assistimos à 8ª das 7 Chagas de Cristo: como que através de geração espontânea surgem numerosos sapos, tal e qual uma praga de gafanhotos no deserto, repetindo pérolas como “The food is good.” ou “Want eat?”, como se fizessem parte de um daqueles filmes de zombies, onde os zombies se arrastam lentamente atrás do protagonista em fuga, gemendo e grunhindo como se estivessem possuídos pelo Demo.
Solução – vão ao Mac, sempre é rápido e indolor.

Choose life, choose a job, choose a f***ing big television. I chose not to chose life. I chose something else. I chose MacDonalds